sexta-feira, 26 de julho de 2013

DO PRAZER DA CIÊNCIA À ALEGRIA FILOSÓFICA


O filósofo francês Henri Bergson (1859-1941) viveu em um momento em que a filosofia se encontrava em descrédito perante a ciência. O ideal de progresso científico fazia parte do paradigma da época, fortemente influenciado pelo pensamento positivista de Comte e de outros pensadores. Em um contexto histórico como esse, criticar o ideal cientificista era um desafio um tanto quanto ousado. E foi justamente o que Bergson fez.
Ele criticava o pensamento fixo e estrito da metodologia científica. Argumentava, por exemplo, que a lógica e a ciência não conseguiam dar conta da noção de duração do tempo, pois analisavam a realidade de forma fragmentada, tornando estáticos os fragmentos, imobilizando a compreensão e ignorando a própria dinâmica inerente à realidade.
Eu penso que a ciência é um instrumento importante para a nossa vida cotidiana. É inegável todo o contributo científico nas mais diversas áreas (saúde, educação, comunicação, etc.). Entretanto, concordo com Bergson que o método científico quebra “artificialmente” a realidade, pois não consegue dar conta da realidade enquanto continuidade, enquanto algo em movimento.
Esta crítica me faz recordar um paradoxo que o filósofo pré-socrático Zenão de Eléia imortalizou. Imagine um atleta que tenha que correr em uma pista de 60 metros. Para chegar ao final da pista, primeiro ele deve percorrer a metade. Para chegar a esta metade (30 metros), ele deve percorrer a metade desta metade, ou seja, 15 metros. Continuando nesse raciocínio, de chegar à metade da metade da metade e etc., percebemos que entramos em uma seqüência ad infinitum. Nisto, fica claro o problema: como o atleta chegará ao final da pista, se antes ele tem que percorrer uma seqüência que nunca acaba, ou seja, infinita?
Como diria Bergson, enquanto a ciência está estruturada em uma metodologia que serve para confortar a nossa existência, ela pode somente nos oferecer um bem-estar momentâneo, pois é assim que se dá o seu funcionamento. Contudo, a filosofia, enquanto método que leva em conta a constante fluidez da realidade, pode nos oferecer a alegria.

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