quarta-feira, 16 de julho de 2014

Como nascem as crianças no Brasil?

Diogo da Luz

O parto é um assunto que está sendo cada vez mais debatido no Brasil. A questão tornou-se seriamente pertinente visto que o número de cirurgias cesarianas aumentou de forma drástica nos últimos anos. Na rede hospitalar privada, o índice fica em torno de 70 a 90 por cento dos nascimentos. No hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, a quantidade de cirurgias cesarianas já ultrapassa 90 por cento dos casos. Já na rede hospitalar pública, o número de cesarianas é menor, cerca de 52 por cento. 
Dados como esses são muito estranhos se comparados com diversos outros países. Por exemplo, na Holanda, somente cerca de 15% dos nascimentos acontecem por meio de cirurgia cesariana. Em Cuba, por exemplo, que é um país reconhecido por sua medicina comunitária e preventiva, se dissermos que o nascimento de crianças no Brasil é mais comum por cesariana, eles irão estranhar, alertando que é um procedimento mais perigoso por ser cirúrgico. 
Outro fator preocupante é que muitas das práticas médicas que envolvem o parto não são respaldadas por pesquisas científicas, indo, inclusive, contra diversos estudos. Fatores considerados de risco e que justificariam a cirurgia, como cordão umbilical enrolado no pescoço do feto, excesso ou falta de líquido amniótico, entre outros, não têm respaldo científico. Algo também que, com certeza, não é muito falado em consultórios médicos, é que a Organização Mundial de Saúde apoia o parto domiciliar, pois é levada em consideração a importância tanto do parto normal quanto do bem-estar da mulher. Isso sem contar nos riscos causados pela prematuridade dos nascimentos agendados antes das 38 semanas (incerteza na contagem devido a ecografias tardias, p. ex.), sendo muito comum em véspera de feriados. 
A verdade é que, além de ser algo cultural, a "mania de cesariana" é interessante para muitos profissionais envolvidos no mercado da saúde. Uma cirurgia envolve mais profissionais, consome mais serviços médicos e hospitalares. Não é à toa que os hospitais particulares lideram esta lista. Já nos hospitais públicos, o governo federal está estimulando cada vez mais o parto normal, pois além de ser melhor para a mãe (sem cortes, sem debilitação para cuidar do bebê, sem internações desnecessárias), também não arca com tantos custos médico-hospitalares. 
A bioética médica afirma ser imprescindível que o paciente seja informado das motivações e das possíveis consequências das práticas cirúrgicas a que será submetido. Neste caso, a gestante/"paciente" tem o direito de saber que o parto normal é o mais indicado para a gravidez de baixo risco. Ela tem o direito de ser devidamente informada para daí escolher a forma que julgar conveniente. As mulheres não devem ser induzidas a praticar algo que seja mais apropriado ao médico ou ao hospital. A mulher deve ser encorajada a empoderar-se desse momento, pois aí então ela perceberá que, na verdade, quem faz o parto é ela, e não o médico. 

Referências: 
·                 BRASIL. Ministério da Saúde. Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher. Brasília, DF, jan. 2001 
·                 O Renascimento do parto. Direção e Produção: Eduardo Chauvet. Brasil, 2013. Son. Col. 90 min. 
·                 ESTUDA, Melania, estuda!. Disponível em:http://estudamelania.blogspot.com.br/. Acesso em: 14 Jul. 2014. 
·                 Dall Agnol, D. Bioética. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.

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